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Apostas ilegais: um ‘monstro’ com ‘tentáculos’ em Portugal

100 mil euros na vitória do Feirense frente ao Rio Ave. Esta alegada aposta terá sido a razão por trás da anulação do jogo da Primeira Liga no Placard, popular jogo da Santa Casa. De imediato o valor em questão levantou suspeitas e levou a uma decisão até agora inédita no primeiro escalão do futebol português. Além do Placard, também a BetClic e a Bet.pt suspenderam as apostas.

Segundo noticiou o jornal O Jogo, o elevado valor terá sido apostado no Placard por um cidadão de nacionalidade chinesa, através de um terminal na Póvoa de Varzim, desencadeando as suspeitas.

O Departamento de Jogos da Santa Casa emitiu um comunicado em que falou do “volume atípico de apostas registado e do risco financeiro envolvido, cumprindo o disposto no art. 19.º, alínea 8 da portaria que regulamenta o jogo Placard”. E o que diz o artigo em questão a respeito do termo “risco financeiro”? “A aceitação de apostas relativas a um dos prognósticos de um determinado tipo de apostas pode ser suspensa a qualquer momento pelo Departamento de Jogos quando os prémios a pagar se tornem superiores aos montantes totais apostados para a totalidade dos prognósticos referentes àquele tipo de aposta”.

Os receios não são infundados, já que Portugal tem já uma história considerável no que toca ao ‘match fixing’, ou viciação de resultados, desde suspeitas a processos judiciais efetivamente iniciados por esta razão.

Suspeitas no Benfica-Penafiel

O jogo Feirense-Rio Ave de segunda-feira foi o primeiro jogo da I Liga a ver as apostas serem, de facto, suspensas por movimentos suspeitos, mas não foi o primeiro jogo em que as suspeições surgiram. Em 2015, no mês de junho, um relatório anual da Federbet, organismo que monitoriza as apostas online, mencionou o Benfica-Penafiel da temporada 2014/15, que os ‘encarnados’ venceram por 4-0.

A partida em questão levantou suspeitas de viciação de resultados devido ao “movimento louco” de apostas numa vitória do Benfica por quatro golos, pelo menos. Ainda assim, o jogo não foi suspenso nas casas de apostas, levando a lucros consideráveis para os apostadores.

Operação “Jogo Duplo”

No segundo escalão do futebol português registaram-se já casos altamente mediatizados, destacando-se a Operação “Jogo Duplo” do ano passado. Em maio de 2016, a Polícia Judiciária deteve jogadores da Oliveirense e do Oriental, além de dirigentes do Leixões, incluindo o presidente do clube de Matosinhos. Foram ainda detidos quatro empresários e um elemento dos Super Dragões, tudo devido a suspeitas de viciação de resultados.

As investigações arrancaram em força e a 4 de dezembro culminaram na suspensão de seis jogadores envolvidos no processo: Ansumane (Felgueiras), Pedro Oliveira (Gafanha), Carela (Estarreja), Moedas (Águeda), que à data das detenções representavam a Oliveirense, assim como Rafael Veloso (Belenenses) e André Almeida (Real), detidos quando representavam o Oriental. Os jogadores continuam proibidos de atuar em Portugal enquanto o processo estiver a decorrer.

Combate aos resultados combinados

A luta contra as apostas ilegais e resultados combinados é uma bandeira da atual direção da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, liderada por Pedro Proença, e no ano passado motivou a aprovação da criação de um Departamento de Integridade Desportiva.

A LPFP esclareceu então que o departamento criado teria o objetivo de “garantir troca de informações que aumente a possibilidade de deteção e monitorização das principais ameaças que afetam o Futebol Profissional, entre as quais o ‘match-fixing’ e as apostas suspeitas”. A já referida Operação “Jogo Duplo” foi a grande razão por trás da criação do novo DID.

Ainda no que toca à direção da Liga, refira-se que o presidente Pedro Proença observou atentamente e “in loco” o jogo de segunda-feira entre Feirense e Rio Ave, que terminou de facto com a vitória de equipa de Santa Maria da Feira, por 2-1.

China continua a levantar suspeitas

A aposta que levou à suspensão do jogo Feirense-Rio Ave nas casas de apostas foi, segundo a imprensa, realizada por um cidadão de nacionalidade chinesa e muitos têm sido os casos de apostas ilegais associados a cidadãos deste país asiático.

No seguimento do Campeonato da Europa de futebol de 2016, conquistado por Portugal, foram mesmo detidas 236 pessoas na China por apostas ilegais durante a prova, segundo números divulgados pelo Ministério da Segurança Pública da China. con ainda apreendidos ou “congelados” cerca de 3,8 milhões de euros.

A nível global, e no mesmo período de tempo, foram realizadas mais de 4 mil buscas em diversos países: China, França, Grécia, Itália, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietname. Segundo a Interpol, esta foi então a operação “mais significativa dos últimos anos”.

:in: Sapo.pt

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